Translate

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

            Bem vindo a esse diário de bordo, caro internauta!
Criado como atividade para o curso Leitura e Escrita em Contexto Digital oferecido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, este blog tem o objetivo de proporcionar experiências de reflexão sobre práticas de letramento em todas as disciplinas para uma nova geração de alunos multimídias. 
A partir de agora, você está convidado a "interletrar" conosco e acompanhar as histórias e as peripécias das quatro educadoras do grupo 6 neste desafio!
 Participe! 


Quem somos nós?

Aniela Dal Rovere ( Aguaí - SP)

Sou formada em Letras com especialização em Literatura Infanto-Juvenil e Semiótica pela Universidade de São Paulo. Efetiva em Inglês, também dou aulas de Português e minha paixão maior - a literatura.
Gosto de gastronomia, viagens, fotografia, arte e claro, livros e mais livros: dos clássicos aos novos nomes do cenário atual como a portuguesa Inês Pedrosa.
Vejo lirismo em tudo e onde não há, eu coloco. Ninguém deve viver num mundo de arestas.
E, por fim, acredito que quando a criança aprende que a leitura existe para ser manuseada e degustada até a última vírgula, ganhamos uma sementinha de mudança por desabrochar.


Maria Amélia Benetasso Marconato ( Ariranha-SP) 

Olá pessoal,
Sou professora de língua portuguesa na rede estadual há 18 anos (efetiva desde 2000), casada e mãe de dois pequenos (ele, 7 anos e ela, 5 anos).

Marcela  Vieira Militão Malvestiti

Maria de  Fátima  Borges da Silva

Pausa para o café

Após dois meses de intensa atividade, o curso acabou.

Este blog, que nasceu como tarefa e começou sem medidas, meio 'a olho', foi ganhando ingredientes novos e muito fermento. Virou receita preferida!
Ele cumpriu bem seu papel de expor nossas atividades e ampliar as possibilidades leitoras.

Agora, virá uma pausa. Um cafezinho para tomarmos fôlego.

Depois, ele retornará repaginado, com ideias diferentes e mais abrangente.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

Relato final...

 LANÇAMENTO PROMETE REVOLUCIONAR A EDUCAÇÃO !


Enquanto seu café não chega, venha conhecer a última palavra em curso online: Práticas de leitura em Contexto Digital versão 2.012.

Muito simples de usar, prático e emocionante. Você acessa de qualquer lugar, inclusive daquele computador pré-histórico da sua escola.
Sob o comando de um tutor, uma turma de professores de diferentes áreas são divididos em grupos, têm suas mentes abertas, defendem com unhas e dentes suas opiniões e precisam travar uma batalha com um blog para sobreviverem. Um Coliseu digital!!!
De um lado as vivências profissionais e os conceitos ultrapassados. Do outro, teóricos e críticos da educação. Para mediar, o tutor.
Os níveis, chamados módulos, vão se dificultando e os grupos têm que criar estratégias aliadas para avançar. Se não interagirem, estão fora. As provas envolvem leitura, escrita e compreensão textual. O Fórum é a infoarena onde tudo acontece! Angústias, experiências, relatos explícitos, ideias vanguardistas....semanticamente uma loucura!!! Não fica vírgula sobre vírgula.
Quem não se reinventa, não chega na reta final e não leva o prêmio “sou um professor capaz de mudar minha prática" para casa!

Conheça os depoimentos reais de quem participou do curso e saiu mais sábio para contar:

"Incrível! Levamos a 2ª edição e fomos inseridas na turma 8 a cargo da experiente tutora Tamar. Os módulos são altamente interativos e viciantes.  A interface é excelente: da palavra para o texto e então os links te levam para capacidades leitoras e para as ideias dos colegas...atualização constante. E os participantes são fantásticos.  Os obstáculos são um pouco complicados de serem vencidos: tem que arrumar tempo para realizar as atividades escritas e muita imaginação para criar os textos. Haja adrenalina! O mais legal é que o curso veio com um bônus: um blog novinho em folha para preenchermos com nossas ideias. Com certeza, vamos adquirir a continuação!"

Aniela, Maria Amélia e Marcela, a empolgadíssima equipe 6


                                                                                                          

VAMOS PROSEAR UM POUCO ENQUANTO NÃO SAI O CAFÉ?


Há pouco tempo, Práticas de Leitura na Contemporaneidade era o título de um e-mail enviado pela minha DE com o sugestivo convite 'você tem que fazer'.
Eu já tinha realizado outros cursos online e parado muitos. Motivo? Perda de interesse.Sim, mea culpa, se algo não representa um desafio constante, largo sem dó. É um defeito. E dos grandes. Vocês não fazem ideia da lista de abandonos...
Ganha um doce quem adivinhar como comecei o curso!
Com um pé atrás? Nããão...com os dois, as mãos e a cabeça. Realmente, não colocava fé que iria adiante.
Então, eis que vem o módulo 1: li os perfis dos meus colegas...hummm...gente interessante. Acho que vou ficar um pouco mais.
Opa! Um fórum com o tema: A leitura e a escrita devem merecer atenção de todas as disciplinas?
Mas isto é muito bom! Cansada de ouvir falar que só Português deve ensinar a ler, dei uma espiada, algumas opiniões...
O tempo andava apertado. Ai, será que vou conseguir continuar ? Não sei não...
Chega o módulo 2 e com ele nossas experiências com a palavra escrita. O fórum começou a ficar interessantíssimo e os textos, mais ainda. Ei, isso me diz muita coisa! Realmente, não tinha pensado nisso... É...dá para ir levando.
O tempo ficou mais apertado. Quem inventou os benditos simulados?!?
Legal! Agora faço parte de um grupo, o 6: Maria Amélia, Maria de Fátima, Marcela e eu, Aniela. Um grupo virtual. Será que dá certo?
Essa não....por quê? Agora eu tenho que fazer de qualquer jeito!!! Vamos construir um blog! Vamos construir um blog!!! Vamos construir um blog!!!!!!!!!!
Sonho antigo, desejo de sempre, mas....como se faz isso, Meu Deus?
O Epaminondas e a Pérpetuo Socorro deram uma mão ( não adianta. Não conto quem é. Faz o curso para saber), meus tecnoalunos, uns palpites, as meninas do grupo, apoio e nossa tutora, Tamar, incentivo e ideias.
É com grande alegria que comunico o nascimento do blog INTERLETR@NDO em meados de outubro depois de um parto que durou muitas noites de aprimoramento. Olhem que coisinha mais fofa!
O tempo ficou espremido e....deixa pra lá. A gente faz qualquer coisa quando se apaixona. O curso tinha virado prioridade.
Lá vem o módulo 3...mas já? Esferas de atividades humanas e os gêneros do discurso. Saudades de você, Bakhtin, não nos víamos desde a pós-graduação. Não dá para conversar, o fórum me espera. É muito bom interagir com esse povo.
O que que é isso, agora? Produzindo textos de gêneros de diferentes esferas.
Uma notícia para as classes populares? Viiixi....
Alguém diz para o tempo parar, por favor? Não vai dar!!! Pesquisas na internet, Notícias Populares – cada coisa absurda, Jesus! - postagens no blog ( aprendi ferramentas novas. Não contavam com minha astúcia?), o que eu escrevo...o que eu escrevo....fórum....discursiva....quase esqueço a objetiva....fórum ( já não está bom, não?) o que eu escrevo....Avenida Brasil....morto...Haha! Achei minha notícia...adorei, mas quero fazer uma capa. Eu tenho que fazer curso de informática. Duas da manhã...agora sim está legal...postando!
Grupo 6, grupo 5, não, é o 4, já fui no 2? 'Eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também'... os grupos se misturaram. Que maravilha! Quanta interação! Olha a ideia da Adriana, da Patrícia, da Priscila...vou aproveitar.
Meu braço direito, Maria Amélia, já está a postos. Vamos preparar nossa próxima atividade? Rotina boa acharmos email uma da outra todos os dias na caixa de entrada...
Minha outra paixão ficou com ciúme....não é quem vocês estão pensando....( minha família foi compreensiva...até um certo ponto). A gastronomia mandou inclui-la no ménage...hummm...uma boa ideia. O blog ficou intenso, incandescente...
Saresp, provas de 4º bimestre. Final de novembro. Keep calm and...ah, estou estressada mesmo!
O curso foi visto pelos meus colegas da escola. Não, não posso colocar a opinião de vocês lá.
A atividade de hoje vai para o meu blog ( 'cê é chique, hein 'sora'?).
Módulo 4 - reta final – texto e leitura.
Interação a todo vapor, projetos fervilhando na cabeça.
Letramento e capacidades de leitura para a cidadania deu o que falar ( e o que fazer também).
Que capacidades leitoras os alunos tem que ter no Enem? A da paciência! E os cursistas desabafaram...
Últimas postagens dentro do curso, um upgrade no blog.
Terminei. Sim, consegui acabar um curso! Superei meu defeito de inconstância. Aprendi. Refleti. Reformularei minha prática e meus conceitos.

Se vou fazer a continuação deste curso? Que pergunta....desde quando disse que não ia fazer este???

O programa Práticas de Leitura e Escrita na Contemporaneidade é um curso à distância, cujo objetivo é exercitar as diferentes capacidades e competências leitoras e de produção de textos em diferentes linguagens. Hoje vemos que a leitura escolar não leva à formação de leitores e produtores de textos proficientes e eficazes, é isto que mostram os resultados de leitura de nossos alunos em diversas avaliações externas, como Enem, Saresp e Saeb. Pensando nisso, e querendo formar alunos leitores preparados para a leitura cidadã, que nossa sociedade urbana e globalizada exige, me inscrevi neste curso. Sou professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental  e acredito que as dificuldades apresentadas por meus alunos estejam associadas a pouca competência que eles têm para a leitura; talvez se tivessem mais fluência na leitura nas aulas de língua materna, consequentemente seriam melhores leitores nas aulas de matemática.
Dividido em quatro módulos, este curso indicou a necessidade de haver algumas mudanças nas perspectivas praticadas no desenvolvimento da leitura,e também levar em conta o surgimento de gêneros novos, como os hipertextos e as páginas web multimodais. Foi ótimo ter participado desse curso, ele me ajudou em muito, poderei enriquecer minhas aulas utilizando as experiências que tive. Os fóruns foram proveitosos e alicerçaram a união entre cursistas e tutora, mostrando um grupo coeso e participativo. Através dele conheci novas pessoas, novos pensamentos e idéias novas.Construir um blog foi uma experiência nova para mim; mostrou o quanto a tecnologia deve ser incorporada na escola e o quanto nós , educadores, temos que nos preparar para isso. No decorrer do curso ficou claro que a leitura é uma atividade sem a qual nenhum plano de ensino e aprendizagem pode concretizar-se e nós, professores de todas as disciplinas, somos professores de leitura. Precisamos então, arregaçar as mangas e assumir a tarefa de levar nossos alunos à formação de leitores e produtores de textos proficientes e eficazes.

Profª  MARCELA VIEIRA MILITÃO MALVESTITI

RELATO REFLEXIVO
FIM DA 2ª EDIÇÃO DO CURSO “LEITURA E ESCRiTA EM CONTEXTO DIGITAL” 2012 – TURMA 08 

Este foi meu 1º curso online pelo AVA-EFAP. Fiquei sabendo de sua existência na ATPC. Fiz a pré-inscrição a  convite de uma colega de área (Língua Portuguesa). Dias depois veio a confirmação.
Comecei então o 1º dos quatro módulos em que o curso foi dividido. Confesso que assustei um pouco, parecia não me encontrar, não localizar os passos a serem seguidos.  A partir do 2º módulo fui me localizando melhor, os textos e as tarefas condiziam melhor com minha área de atuação.
Foi muito boa a troca de experiências com os colegas de curso e também com a tutora Tamar (que foi muito profissional, sempre atenta, mas sem deixar de ser humana) através dos fóruns.  Os textos e as entrevistas propostos para estudo foram de grande valia para  reforçar o quanto é grande nossa missão de formarmos leitores para além do espaço escolar e que, para tal, devemos usar também  as TICs em nossas aulas, mesmo que elas ainda não estejam tão bem montadas, como precisamos  que estejam, na prática diária de uma escola.  
Estar na condição de aluna tendo que compreender e produzir textos  e até um blog foi muito válido, abriu os horizontes que as vezes esquecemos que existem para nós (professores)  também por conta de tantas cobranças que recebemos todos os dias e de todos os lados (escola, sociedade, governo).
Saber que neste curso havia colegas  de  várias disciplinas em busca de conhecimento, de atualização para melhorar a qualidade de suas aulas e dividir conosco (Língua Portuguesa)  a missão de aprimorar a leitura e a compreensão de textos  por nossos alunos, foi motivo de alegria e alívio.
Enfim esta edição do curso está chegando ao fim e foi muito boa para mim, tanto no sentido da atualização como também na troca de experiências que são fatores que nos impulsionam, nos refazem para seguirmos e estarmos firmes nesta ‘batalha’.

                                                                                                                        Profª Maria Amélia

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Algumas considerações simbólicas a respeito de compreensão de texto:



  • tal como um tecido, de quem possui a mesma etimologia, uma leitura textual plena requer simbiose perfeita entre a urdidura e a trama, ou seja, entre o saber-cultural acumulado pela sociedade e o saber-novo vivenciado por nossos olhares de mundo. A escola é o tear onde se dispõem todos estes fios que serão entrelaçados pelo pente-professor. É ele quem sente o cardamento da trama, verifica sua maleabilidade, suas possibilidades; quem, na tensão constante da urdidura, procura calas para inseri-los e descobrir novos padrões, pois nunca há fios ruins, apenas mal aproveitados. Dependendo do que se quer obter, são necessários vários pentes-professores trabalhando ao mesmo tempo. Mas, e se o tear-escola não estiver bem azeitado? A produção fica penosa, irregular, por vezes, inútil. Todo um trabalho para nada...
  • ninguém tece sem prévia concepção e organização dos materiais. Como há professores que jogam um texto qualquer em cima do tear e querem bons resultados? Sim, a culpa é nossa! Os fios da compreensão não se juntam sozinhos.
  • há filamentos mais finos, mais grosseiros, mais torcidos, mais ou menos resistentes. Não compramos uma variedade de tecidos feitos dos mais variados fios para diferentes usos? Por que, então, insistimos em pegar tanta diversidade fios-alunos e querermos um único padrão de pano – e pior, um fino e excepcional? Um algodão nunca virá a ser cetim, mas nem por isso é menos importante.
  • Ler-tecer deve ser um ato de vislumbre do futuro. De recriar técnicas, de desfazer nós preconceituosos, de atar pontas soltas e remendar desgastes. A leitura bem tramada é a maior promessa de mudanças que um professor pode legar ao seu aluno.
                                                                                                            Aniela
  • A leitura de verdade, ou seja, leitura e compreensão de qualquer tipologia textual vai muito além daquilo está à frente do leitor. Envolve fatores externos (o local, a postura, os ruídos), internos (fome, preguiça, sono, cansaço,tristeza), conhecimento particular (pessoal) e mais geral de mundo, conhecimento cultural, enfim, o texto cru, puro, sem a "participação"  do leitor não tem significado e muito menos sentido. 
                                                                                                      Maria Amélia

  • O processo da leitura envolve vários aspectos, incluindo não apenas características do texto e do momento histórico em que ele é produzido, mas também características do leitor e do momento histórico em que o texto é lido. O resultado do encontro entre leitor e texto não pode ser descrito, portanto, a partir de um único enfoque. Uma descrição completa do processo da compreensão deve levar em conta, no mínimo, três aspectos essenciais: o texto, o leitor e as circunstâncias em que se dá o encontro.
  • Historicamente, no entanto, o estudo da compreensão de leitura tem se caracterizado pela predominância de um ou outro extremo do processo, enfatizando ora o texto ora o leitor, como fator essencial da compreensão. Cada um desses enfoques pressupõe uma explicação diferente para os fatores que intervêm na compreensão. Quando se privilegia o texto, por exemplo, pressupõe-se que a melhoria na compreensão depende de qualidades intrínsecas do texto e que, na medida em que se modificam essas qualidades, está-se modificando os níveis de compreensão do leitor. Quando se privilegia o leitor, pressupõe-se que a compreensão do texto aumenta na medida em que se desenvolve no leitor as habilidades gerais da leitura.  
                                                                                                       Marcela

Interletr@ndo na prática - hora de pôr a mão na massa!


A atividade do módulo 3 foi tão interessante ( tanto produzir a nossa quanto ler e interagir nas produções dos colegas) que resolvi levar o curso para a sala de aula e interletrar com meus alunos.

Propus a um 1º ano colegial, que já estava trabalhando o gênero conto, que recriasse um texto consagrado inspirado nas notícias.

Contos e mais contos depois, chegamos ao nosso original: Uma vela para Dario, do curitibano Dalton Trevisan.

Se você ainda não conhece, aproveite agora:


versão para imprimir:

Nossa escolha foi simples: o texto é atemporal, de estrutura simples, mas repleto de simbolismos e sensações.

Quantos Darios há esquecidos por aí? Quem são as pessoas que esbarram em Darios todos os dias? São os que o enxergam, os que o largam, que o roubam, que o pisoteam ou os que acendem uma vela?

Análise feita – hora de escrever!
Norteadores: estrutura textual mantida, inferência e atualização do fato e dos personagens, posição: elite ou popular.

Apresento aqui os trechos de dois textos que foram escolhidos e 'incrementados' pela sala em um trabalho coletivo envolvendo dicionários e jornais :



segunda-feira, 5 de novembro de 2012

EXTRA! EXTRA! CINCO PESSOAS ENGANADAS POR MENINO! EXTRA!


Quem nunca viu essa piada em programas televisivos onde o pobre leitor vai correndo comprar um exemplar do jornal só para saber que ele é mais uma das pessoas enganadas da manchete?

Brincadeiras à parte, o jornalismo impresso ainda tem bastante força na influência de opinião das massas. Embora venha sofrendo declínio e fechamento em algumas partes do mundo por conta das crises econômicas e mudanças para suportes digitais, o Brasil é uma uma exceção: a tiragem dos periódicos sofreu uma explosão desde 2007 por conta da redução do analfabetismo e consequente inclusão de novos leitores.
A despeito de toda tecnologia, há quem não dispense o bom e velho companheiro do cafezinho, da fila do ônibus, das rodas de amigos...

A imprensa nacional

O primeiro jornal publicado em terras brasileiras, foi o 'A Gazeta', iniciado em setembro de 1808, no Rio de Janeiro, e extinto em 1822 com a Independência.
Antes da chegada da família real portuguesa, toda atividade de imprensa era proibida no país.
Mesmo sendo um órgão oficial do governo, 'A Gazeta' era editado sob censura prévia, que só foi extinta em 1821. A imprensa no século XIX não era concebida com o caráter noticiário de hoje e, sim, doutrinário. As notícias que o jornal veiculava eram de interesse direto da corte, pretendendo moldar a opinião pública a favor da realeza.



Mas e a oposição?

Alguns meses antes de o governo português publicar seu jornal, Hipólito José da Costa lançou o 'Correio Braziliense'. Impresso em Londres, era trazido clandestinamente para o Brasil. Este jornal tinha caráter ideológico, sua função era “evidenciar os defeitos administrativos do Brasil”.

Ainda assim, eram publicações voltados para elite.
No século XIX, o advento do realismo e cientificismo abre caminho para um novo tipo de informação: os jornais populares.
Com uma linguagem naturalista e básica, estes jornais (ainda que meros fascículos e panfletos caseiros e de pouca tiragem) denunciavam as mazelas de uma sociedade ainda arraigada na escravidão para suas próprias vítimas.

Em 1937, vem o primeiro experimento no estilo dos jornais populares como conhecemos hoje: é lançado o “ A Notícia.” Em 1945, Ademar de Barros, interventor em SP e futuro governador compra os direitos e dá início ao ciclo dos jornais populares.

Esta nova forma de se fazer notícia criou uma profissão: os manchetistas populares, que construindo títulos inusitados, repletos de duplo sentido, conseguiam uma maior circulação nas bancas. Esse é um diferencial dos jornais populares: vendem só no jornaleiro e têm atrativos de capa todos os dias: a cores são escolhidas previamente de acordo com o local da venda, há promoções e brindes, os preços são baixos (variando de R$0,25 a R$1,20), a linguagem é simples e objetiva o excesso de publicidade são imprescindíveis para o sucesso das publicações.

Espreme que sai sangue”

Em 1963, é lançado em São Paulo pelo grupo Folha o “Notícias Populares” - NP - com o slogan 'Nada mais que a verdade'. Apesar das manchetes polêmicas e do apelo comercial, o NP foi o pioneiro a trazer colunas que falavam de temas 'tabu' ("Tudo Sobre Sexo" — coluna escrita por Rosely Sayão e "Espaço Gay" — uma das primeiras colunas dedicadas ao público GLS em jornais brasileiros ).
Precursor dos sensacionalistas, o jornal era uma mistura de crime, sexo e violência.


Em 2001 foi retirado de circulação por perder espaço para o meio televisivo e os programas como Aqui e Agora. Muito criticado por seus exageros, inclusive com denúncias de matérias fraudulentas, o jornal deixou sucessores mais enxutos e comprometidos com a função de informar. As manchetes são sempre factuais, com apelo para a cobertura policial e celebridades. Além disso, é repleto de serviços, anúncios de empregos e seções destinadas aos aposentados e ao leitor que deseja anunciar o seu trabalho.




Gostando ou não as elites bem pensantes que comandam os jornais ditos “de referência”, é essa guerra de preços e de manchetes sensacionalistas — e não pela informação exclusiva — a maior responsável pela relativa prosperidade do setor de imprensa no país. Em 2007, o crescimento da circulação total de jornais no Brasil foi de 12%, contra 2,7% da média mundial, graças principalmente à explosão dos tabloides.Os “jornais populares” não têm mais o estilo puramente “espreme que sai sangue” de antigamente, mas continuam funcionando sob a certeza de que dão ao povo o que o povo quer. Aqui mora o risco: não estariam - sob o pretexto de que assim é que vende – condenando a população mais carente ao consumo de um produto que nunca os faz sair do mesmo patamar de cultural?


Fontes:




Para saber mais, visite o Observatório da Imprensa:

Nos bons tempos do Notícias Populares


Espreme que sai sangue


Nada mais que a verdade



RECOMENDAMOS:

A Fundação Biblioteca Nacional oferece aos seus usuários a HEMEROTECA DIGITAL BRASILEIRA, portal de periódicos nacionais que proporciona ampla consulta, pela internet, ao seu acervo de periódicos – jornais, revistas, anuários, boletins etc. – e de publicações seriadas.
Pesquisadores de qualquer parte do mundo passam a ter acesso, inteiramente livre e sem qualquer ônus, a títulos que incluem desde os primeiros jornais criados no país – como o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, ambos fundados em 1808 – a jornais                                  
extintos no século XX, como o Diário Carioca e Correio da Manhã, ou que não circulam mais na forma impressa, caso do Jornal do Brasil.
Entre as publicações mais antigas e mesmo raras do século XIX estão, por exemplo, O Espelho, Reverbero Constitucional Fluminense, O Jornal das Senhoras, O Homem de Cor, Marmota Fluminense, Semana Illustrada, A Vida Fluminense, O Mosquito, A República, Gazeta de Notícias, Revista Illustrada, O Besouro, O Abolicionista, Correio de S. Paulo, Correio do Povo, O Paiz, Diário de Notícias, e também os primeiros jornais das províncias do Império




INTERLETRANDO 

As notícias podem servir de inspiração para outros gêneros:


Poema Tirado de uma Notícia de Jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira

Noticia de Jornal

Chico Buarque

Tentou contra a existência
Num humilde barracão
Joana de tal, por causa de um tal João
Depois de medicada
Retirou-se pro seu lar
Aí a notícia carece de exatidão
O lar não mais existe
Ninguém volta ao que acabou
Joana é mais uma mulata triste que errou
Errou na dose
Errou no amor
Joana errou de João          
Ninguém notou
Ninguém morou na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal


NOTÍCIA DE JORNAL
   Fernando Sabino
 Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
 Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome. 
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da radiopatrulha, por que haveria de ser da minha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
 E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.

Uma sugestão multimidia para ser trabalhada com os alunos:


Este  video do grupo de teatro Os melhores do mundo  traz diversos esquetes 'emprestados' das notícias populares ( inclusive  o vocabulário).


Atividade Módulo 3

Nosso curso está quase no fim. 
Neste módulo, refletimos sobre  as esferas de atividades humanas e os gêneros do discurso.
Partindo do quadro abaixo, os seis grupos foram incumbidos de desenvolver um gênero textual entre notícias e crônicas.


Imagine a inusitada sequência de eventos que segue, como se ela tivesse acontecido com alguém logo ao acordar:



Sequência de eventos retirada de LAGE, Nilson. Estrutura da notícia. São Paulo: Ática, 2006. p. 21-22

A nós do grupo 6 foi determinado:
  • Uma notícia para um jornal do tipo popular;

    E agora? O que é esperado de um jornal assim?

    Notícia
    jornal popular
    Relato de fatos em ordem decrescente do que se supõe ser a informação mais importante para o leitor.
    Uso de linguagem mais popular.
    Relato em terceira pessoa.
    Presença de palavras que indicam precisão, tais como números, nomes e endereços completos.

    Mãos a obra!





domingo, 4 de novembro de 2012


01/11/2012 – 22h52
JOVEM DIARISTA É SURPREENDIDA POR HOMEM   
UM DIA TRÁGICO NA VIDA DA JOVEM BATALHADORA.    

Maria Amélia B. M.
De Ariranha-SP

Por volta das 5h, de ontem, no bairro Santa Bárbara, zona leste de São Paulo, a jovem Maria  Raquiele da Silva , 21, seguia sua rotina de acordar bem cedo e fazer sua higiene pessoal naquele quase banheiro  para mais um dia de trabalho duro, quando houve bater à porta da casa. Sai às pressas do banheiro e vai atender. A jovem alagoana não vê ninguém de pé diante dela. Corre os olhos pela pequena e única  varanda e quase cai sobre o homem deitado no chão.   “Abaixei, chamei, cutuquei e nada de se mexer, estava  gelado e  de barriga para baixo. Peguei meu celular quase sem créditos e liguei chorando para a polícia”, disse Maria.  
 Rapidamente a polícia chegou, desvirou o corpo e viu que era um homem de meia-idade muito bem vestido e que já estava morto. O corpo não tinha marcas de tiro nem de agressão física. Ao pegar os documentos no bolso da calça da vítima viram ser o empresário Roger Alvarenga, 45, dono da casa que a diarista limpa às segundas- feiras, no Morumbi.  
 Muito assustada ela disse para a polícia que Roger era uma pessoa muito boa e educada, e que não permanecia no lar enquanto ela limpava. Saia assim que ela chegava e só retornava às 17h para trazer os R$ 150,00 da diária.  
De acordo com a PM, as investigações serão demoradas por não ter testemunhas e nem câmeras  de segurança próxima a humilde residência  para tentar descobrir como aquele cadáver chegou ali, uma vez que garota mora e  vive sozinha em São Paulo.
O corpo foi levado ao IML com suspeita de envenenamento. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. Só aí se saberá a verdadeira causa de mais uma morte misteriosa na capital paulista. 

sábado, 3 de novembro de 2012

MENINA PRESA POR ROUBAR LIVROS
A menor A........... foi detida ontem, 05/11/12, à tarde, quando tirava, sem permissão, um livro de contos de uma livraria, no centro da cidade de Santo André, SP.
A garota, cuja mãe não permite sua identificação, ficou sabendo que um livro de contos de Carlos Drummond de Andrade era muito bom e ficou com vontade de lê-lo. Ela visitou duas bibliotecas que conhecia e não encontrou a publicação que queria.
Quando passava pela livraria, viu o livro na vitrine e entrou para olhá-lo. Percebendo que ninguém a observava, retirou o livro da estante e o enfiou por debaixo da blusa e ia saindo quando o vendedor parou-a à porta.
O vendedor notou o volume debaixo da blusa da menina e pediu que ela mostrasse o que j=havia lá.
A menina, envergonhada, tirou o livro e pediu ao vendador que não a denunciasse. Ela devolveria o livro, mas ficaria triste, pois queria conhecer seu conteúdo e não tinha dinheiro para comprá-lo.
O vendedor deu o livro de presente à menina e aconselhou-a a não agir daquela maneira de novo, que não a denunciaria desta vez, mas que não poderia prometer nada se houvesse uma segunda vez.
A menina agradeceu muito e prometeu que nunca mais faria aquilo.
Fátima Borges. Da redação




TUFÃO DA VILA BRASIL RECEBE MAX EM CASA


Por Aniela Dal Rovere
Da redação

Por volta das 6 horas da manhã de ontem, a delegacia de homicídios da Vila Brasil, periferia de São Paulo, recebeu uma ligação do além. Um homem dizia que Max estava bem na sua porta.
Comparecendo ao local, o sargento Santos precisou de muita conversa para convencer Argemiro Leleco da Silva, vulgo “Tufão”, 60 anos, jogador aposentado do Esporte Clube Divinos da Glória, popular time da 4ª divisão dos anos 70, a sair da laje de sua casa, onde se escondeu ao se deparar com o cadáver de Maxwilson Florindo, 32 anos, conhecido como “Max da erva”, figurinha tarimbada no bairro e procurado pela polícia por tráfico, extorsão e assalto a mão armada, dado como morto três meses antes após a explosão de uma fábrica de fogos que funcionava como fachada para o comércio de drogas.
Depois de ser convencido que não se tratava de um fantasma, Tufão relatou que pouco depois das 5 da matina, horário que acorda para sua corrida pelas ruelas mal iluminadas da vila, ouviu uma movimentação estranha perto da porta de sua casa, localizada ao lado do ponto das lotações e,  acostumado com o vaivém do povão que passa para ir ao trabalho, não se incomodou e continuou com sua higiene de costume. Mas, como o barulho aumentou seguido de batidas na porta, ele resolveu verificar se não se tratava de nenhum meliante. Quando destrancou a fechadura e olhou para fora, suas pernas bambearam.“Se o coração não estivesse em dia, teria batido as botas de susto. Nunquinha na vida tinha visto uma coisa assim. O homem já estava duro de morto”, diz ele, chocado com a cena. Caído entre os degraus da escadinha de madeira da porta, Max estava amarrado com arame farpado e com tiros de fuzil no peito.
A polícia irá investigar o caso, mas já trabalha com a ideia de execução. Outra facção criminosa que quer ter o tráfico da vila pode estar por trás da morte e também da explosão da fábrica.
Mas por que desovaram o homem na minha porta? Parecia uma assombração, todo de branco e com a boca escancarada. Sempre fui do bem e até montei uma escolinha de futebol pra garotada daqui.” Tufão está desorientado e pensa em se mudar para o Jardim Ângela, na zona sul, onde mora sua sobrinha Carminha e acredita que lá tem menos violência.


Depois de ler vários exemplares de diversas partes do Brasil e familiarizar-me com os termos e jargões, redigi a notícia acima. Busquei uma linguagem simples, mas bastante eficaz na sua comunicação e elementos que dessem 'identidade' a um possível leitor. Na busca pelo 'lead' da notícia, resolvi brincar com o fenômeno popular do momento: a novela Avenida Brasil.