Quem
nunca viu essa piada em programas televisivos onde o pobre leitor vai
correndo comprar um exemplar do jornal só para saber que ele é mais
uma das pessoas enganadas da manchete?
Brincadeiras
à parte, o jornalismo impresso ainda tem bastante força na
influência de opinião das massas. Embora venha sofrendo declínio
e fechamento em algumas partes do mundo por conta das crises econômicas
e mudanças para suportes digitais, o Brasil é uma uma
exceção: a tiragem dos periódicos sofreu uma explosão desde 2007
por conta da redução do analfabetismo e consequente inclusão de
novos leitores.
A
despeito de toda tecnologia, há quem não dispense o bom e velho
companheiro do cafezinho, da fila do ônibus, das rodas de amigos...
A
imprensa nacional
O
primeiro jornal publicado em terras brasileiras, foi o 'A
Gazeta',
iniciado em setembro de 1808, no Rio de Janeiro, e extinto em 1822
com a Independência.
Antes
da chegada da família real portuguesa, toda atividade de imprensa
era proibida no país.
Mesmo
sendo um órgão oficial do governo, 'A
Gazeta'
era
editado sob censura prévia, que só foi extinta em 1821. A imprensa
no século XIX não era concebida com o caráter noticiário de hoje
e, sim, doutrinário. As notícias que o jornal veiculava eram de
interesse direto da corte, pretendendo moldar a opinião pública a
favor da realeza.
Mas
e a oposição?
Alguns
meses antes de o governo português publicar seu jornal, Hipólito
José da Costa lançou o 'Correio
Braziliense'.
Impresso
em Londres, era trazido clandestinamente para o Brasil. Este jornal
tinha caráter ideológico, sua função era “evidenciar os
defeitos administrativos do Brasil”.
Ainda
assim, eram publicações voltados para elite.
No
século XIX, o advento do realismo e cientificismo abre caminho para
um novo tipo de informação: os jornais populares.
Com
uma linguagem naturalista e básica, estes jornais (ainda que meros
fascículos e panfletos caseiros e de pouca tiragem) denunciavam as
mazelas de uma sociedade ainda arraigada na escravidão para suas
próprias vítimas.
Em
1937, vem o primeiro experimento no estilo dos jornais populares como
conhecemos hoje: é lançado o “ A Notícia.” Em 1945,
Ademar de Barros, interventor em SP e futuro governador compra os
direitos e dá início ao ciclo dos jornais populares.
Esta
nova forma de se fazer notícia criou uma profissão: os manchetistas
populares, que construindo títulos inusitados, repletos de duplo
sentido, conseguiam uma maior circulação nas bancas. Esse é um
diferencial dos jornais populares: vendem só no jornaleiro e têm
atrativos de capa todos os dias: a cores são escolhidas previamente
de acordo com o local da venda, há promoções e brindes, os preços
são baixos (variando de R$0,25 a R$1,20), a linguagem é simples e
objetiva o excesso de publicidade são imprescindíveis para o
sucesso das publicações.
“Espreme
que sai sangue”
Em
1963, é lançado em São Paulo pelo grupo Folha o “Notícias
Populares” - NP - com o slogan 'Nada mais que a verdade'.
Apesar das manchetes polêmicas e do apelo comercial, o NP foi o
pioneiro a trazer colunas que falavam de temas 'tabu' ("Tudo
Sobre Sexo" — coluna escrita por Rosely Sayão e
"Espaço Gay"
— uma das primeiras colunas dedicadas ao público GLS em jornais
brasileiros ).
Precursor
dos sensacionalistas, o jornal era uma mistura de
crime, sexo e violência.
Em
2001 foi retirado de circulação por perder espaço para o meio
televisivo e os programas como Aqui e Agora. Muito criticado por seus
exageros, inclusive com denúncias de matérias fraudulentas, o jornal
deixou sucessores mais enxutos e comprometidos com a função de
informar.
As manchetes são sempre factuais, com apelo para a cobertura
policial e celebridades. Além disso, é repleto de serviços,
anúncios de empregos e seções destinadas aos aposentados e ao
leitor que deseja anunciar o seu trabalho.
Gostando
ou não as elites bem pensantes que comandam os jornais ditos “de
referência”, é essa guerra de preços e de manchetes
sensacionalistas — e não pela informação exclusiva — a maior
responsável pela relativa prosperidade do setor de imprensa no país.
Em 2007, o crescimento da circulação total de jornais no Brasil foi
de 12%, contra 2,7% da média mundial, graças principalmente à
explosão dos tabloides.Os “jornais populares” não têm mais o
estilo puramente “espreme que sai sangue” de antigamente, mas
continuam funcionando sob a certeza de que dão ao povo o que o povo
quer. Aqui
mora o risco: não estariam - sob o pretexto de que assim é que
vende – condenando a população mais carente ao consumo de um
produto que nunca os faz sair do mesmo patamar de cultural?
Fontes:
Para saber mais, visite o Observatório da Imprensa:
Nos bons tempos do Notícias Populares
Espreme que sai sangue






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