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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

EXTRA! EXTRA! CINCO PESSOAS ENGANADAS POR MENINO! EXTRA!


Quem nunca viu essa piada em programas televisivos onde o pobre leitor vai correndo comprar um exemplar do jornal só para saber que ele é mais uma das pessoas enganadas da manchete?

Brincadeiras à parte, o jornalismo impresso ainda tem bastante força na influência de opinião das massas. Embora venha sofrendo declínio e fechamento em algumas partes do mundo por conta das crises econômicas e mudanças para suportes digitais, o Brasil é uma uma exceção: a tiragem dos periódicos sofreu uma explosão desde 2007 por conta da redução do analfabetismo e consequente inclusão de novos leitores.
A despeito de toda tecnologia, há quem não dispense o bom e velho companheiro do cafezinho, da fila do ônibus, das rodas de amigos...

A imprensa nacional

O primeiro jornal publicado em terras brasileiras, foi o 'A Gazeta', iniciado em setembro de 1808, no Rio de Janeiro, e extinto em 1822 com a Independência.
Antes da chegada da família real portuguesa, toda atividade de imprensa era proibida no país.
Mesmo sendo um órgão oficial do governo, 'A Gazeta' era editado sob censura prévia, que só foi extinta em 1821. A imprensa no século XIX não era concebida com o caráter noticiário de hoje e, sim, doutrinário. As notícias que o jornal veiculava eram de interesse direto da corte, pretendendo moldar a opinião pública a favor da realeza.



Mas e a oposição?

Alguns meses antes de o governo português publicar seu jornal, Hipólito José da Costa lançou o 'Correio Braziliense'. Impresso em Londres, era trazido clandestinamente para o Brasil. Este jornal tinha caráter ideológico, sua função era “evidenciar os defeitos administrativos do Brasil”.

Ainda assim, eram publicações voltados para elite.
No século XIX, o advento do realismo e cientificismo abre caminho para um novo tipo de informação: os jornais populares.
Com uma linguagem naturalista e básica, estes jornais (ainda que meros fascículos e panfletos caseiros e de pouca tiragem) denunciavam as mazelas de uma sociedade ainda arraigada na escravidão para suas próprias vítimas.

Em 1937, vem o primeiro experimento no estilo dos jornais populares como conhecemos hoje: é lançado o “ A Notícia.” Em 1945, Ademar de Barros, interventor em SP e futuro governador compra os direitos e dá início ao ciclo dos jornais populares.

Esta nova forma de se fazer notícia criou uma profissão: os manchetistas populares, que construindo títulos inusitados, repletos de duplo sentido, conseguiam uma maior circulação nas bancas. Esse é um diferencial dos jornais populares: vendem só no jornaleiro e têm atrativos de capa todos os dias: a cores são escolhidas previamente de acordo com o local da venda, há promoções e brindes, os preços são baixos (variando de R$0,25 a R$1,20), a linguagem é simples e objetiva o excesso de publicidade são imprescindíveis para o sucesso das publicações.

Espreme que sai sangue”

Em 1963, é lançado em São Paulo pelo grupo Folha o “Notícias Populares” - NP - com o slogan 'Nada mais que a verdade'. Apesar das manchetes polêmicas e do apelo comercial, o NP foi o pioneiro a trazer colunas que falavam de temas 'tabu' ("Tudo Sobre Sexo" — coluna escrita por Rosely Sayão e "Espaço Gay" — uma das primeiras colunas dedicadas ao público GLS em jornais brasileiros ).
Precursor dos sensacionalistas, o jornal era uma mistura de crime, sexo e violência.


Em 2001 foi retirado de circulação por perder espaço para o meio televisivo e os programas como Aqui e Agora. Muito criticado por seus exageros, inclusive com denúncias de matérias fraudulentas, o jornal deixou sucessores mais enxutos e comprometidos com a função de informar. As manchetes são sempre factuais, com apelo para a cobertura policial e celebridades. Além disso, é repleto de serviços, anúncios de empregos e seções destinadas aos aposentados e ao leitor que deseja anunciar o seu trabalho.




Gostando ou não as elites bem pensantes que comandam os jornais ditos “de referência”, é essa guerra de preços e de manchetes sensacionalistas — e não pela informação exclusiva — a maior responsável pela relativa prosperidade do setor de imprensa no país. Em 2007, o crescimento da circulação total de jornais no Brasil foi de 12%, contra 2,7% da média mundial, graças principalmente à explosão dos tabloides.Os “jornais populares” não têm mais o estilo puramente “espreme que sai sangue” de antigamente, mas continuam funcionando sob a certeza de que dão ao povo o que o povo quer. Aqui mora o risco: não estariam - sob o pretexto de que assim é que vende – condenando a população mais carente ao consumo de um produto que nunca os faz sair do mesmo patamar de cultural?


Fontes:




Para saber mais, visite o Observatório da Imprensa:

Nos bons tempos do Notícias Populares


Espreme que sai sangue


Nada mais que a verdade



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