Translate

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Algumas considerações simbólicas a respeito de compreensão de texto:



  • tal como um tecido, de quem possui a mesma etimologia, uma leitura textual plena requer simbiose perfeita entre a urdidura e a trama, ou seja, entre o saber-cultural acumulado pela sociedade e o saber-novo vivenciado por nossos olhares de mundo. A escola é o tear onde se dispõem todos estes fios que serão entrelaçados pelo pente-professor. É ele quem sente o cardamento da trama, verifica sua maleabilidade, suas possibilidades; quem, na tensão constante da urdidura, procura calas para inseri-los e descobrir novos padrões, pois nunca há fios ruins, apenas mal aproveitados. Dependendo do que se quer obter, são necessários vários pentes-professores trabalhando ao mesmo tempo. Mas, e se o tear-escola não estiver bem azeitado? A produção fica penosa, irregular, por vezes, inútil. Todo um trabalho para nada...
  • ninguém tece sem prévia concepção e organização dos materiais. Como há professores que jogam um texto qualquer em cima do tear e querem bons resultados? Sim, a culpa é nossa! Os fios da compreensão não se juntam sozinhos.
  • há filamentos mais finos, mais grosseiros, mais torcidos, mais ou menos resistentes. Não compramos uma variedade de tecidos feitos dos mais variados fios para diferentes usos? Por que, então, insistimos em pegar tanta diversidade fios-alunos e querermos um único padrão de pano – e pior, um fino e excepcional? Um algodão nunca virá a ser cetim, mas nem por isso é menos importante.
  • Ler-tecer deve ser um ato de vislumbre do futuro. De recriar técnicas, de desfazer nós preconceituosos, de atar pontas soltas e remendar desgastes. A leitura bem tramada é a maior promessa de mudanças que um professor pode legar ao seu aluno.
                                                                                                            Aniela
  • A leitura de verdade, ou seja, leitura e compreensão de qualquer tipologia textual vai muito além daquilo está à frente do leitor. Envolve fatores externos (o local, a postura, os ruídos), internos (fome, preguiça, sono, cansaço,tristeza), conhecimento particular (pessoal) e mais geral de mundo, conhecimento cultural, enfim, o texto cru, puro, sem a "participação"  do leitor não tem significado e muito menos sentido. 
                                                                                                      Maria Amélia

  • O processo da leitura envolve vários aspectos, incluindo não apenas características do texto e do momento histórico em que ele é produzido, mas também características do leitor e do momento histórico em que o texto é lido. O resultado do encontro entre leitor e texto não pode ser descrito, portanto, a partir de um único enfoque. Uma descrição completa do processo da compreensão deve levar em conta, no mínimo, três aspectos essenciais: o texto, o leitor e as circunstâncias em que se dá o encontro.
  • Historicamente, no entanto, o estudo da compreensão de leitura tem se caracterizado pela predominância de um ou outro extremo do processo, enfatizando ora o texto ora o leitor, como fator essencial da compreensão. Cada um desses enfoques pressupõe uma explicação diferente para os fatores que intervêm na compreensão. Quando se privilegia o texto, por exemplo, pressupõe-se que a melhoria na compreensão depende de qualidades intrínsecas do texto e que, na medida em que se modificam essas qualidades, está-se modificando os níveis de compreensão do leitor. Quando se privilegia o leitor, pressupõe-se que a compreensão do texto aumenta na medida em que se desenvolve no leitor as habilidades gerais da leitura.  
                                                                                                       Marcela

Nenhum comentário:

Postar um comentário